Fundo de Solidariedade

 

O Fundo de Solidariedade da Pastoral Universitária nasceu em Outubro de 1992 de um apelo lançado na Celebração de Início de Ano por D. Gilberto Canavarro, na altura bispo auxiliar do Porto e que então assim se exprimia: “(…) Esta vossa tradição convida-me a revelar-vos um sonho do Secretariado Diocesano da Pastoral Universitária. Trata-se de constituir um fundo de solidariedade em favor dos universitários mais carenciados. Este Fundo seria uma forma concreta de exercitar a vossa solidariedade e espírito de doação. Seria uma maneira de revelar a fecundidade do amor de Cristo. Confio-vo-lo. Dai-lhe corpo”.

Na verdade, aquele apelo nascia da detecção de graves carências, também materiais, junto de estudantes universitários. Demos-lhe “corpo” e estabelecemos alguns princípios básicos pelos quais, ainda hoje, se tem orientado. Tais princípios são, por exemplo, a análise de todos os pedidos de ajuda por, pelo menos, duas pessoas da equipa do Secretariado; a atribuição de ajudas que resolvam cabalmente o problema (ou nesse sentido o encaminhem) e por isso também uma única vez (mesmo se em prestações) a cada pessoa; o acompanhamento e apoio de todos os casos em todas as vertentes que sentirmos necessárias; a coordenação com outras entidades intervenientes nestes casos; a prioridade aos estudantes dos últimos anos…

Alimentado nos anos seguintes por diversas iniciativas como duas exposições artísticas, várias “purracas” nas noites da Queima das Fitas, um Festival de Tunas ou uma récita de ópera e, sobretudo, por donativos, individuais (particularmente de docentes mas também de ex-universitários) ou colectivos (como o resultante dos ofertórios das Missas de Início de Ano e, sobretudo, de Bênção das Pastas), garantiu ajudas que, no total, superam já os 220.000 Euros (em forma de subsídios ou, mais raramente, empréstimos). Dirigiram-se a mais de seis centenas de estudantes, maioritaria, mas não exclusivamente, provindos dos PALOP, permitindo a muitos deles a conclusão dos próprios cursos.

Conseguimos até à data responder à totalidade dos pedidos feitos no enquadramento previsto. Mas já por duas vezes nos vimos forçados à sua suspensão, tal o deficit (de que sempre temos conseguido recuperar…). Não visando nunca a acumulação, é imperiosa a manutenção pelo que, através também destes casos, ousamos o APELO à contribuição possível:

A. é estudante do 3º ano de Electrotecnia e Computadores na FEUP, vive em sérias dificuldades pois não tem, qualquer apoio familiar. Para além das dificuldades alimentares e de pagamento da renda de casa, tem problemas de visão que obrigam ao uso de óculos. Apesar de muito esforço não conseguia arranjar trabalho. O Fundo pôde, neste caso, assumir a despesa dos óculos, ajudar na alimentação e promoveu o contacto com uma outra instituição que acolheu A., de forma a que pudesse exercer uma actividade artesanal, como meio de subsistência.

T. e G. são estudantes do 3º ano de Fisioterapia na Escola Superior de Tecnologias e Saúde do Porto e do 4º de Sociologia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto respectivamente, são pais de uma menina o que lhes acresce muitas despesas às da renda, alimentação e propinas. Apesar de ambos trabalharem em part-time, o dinheiro que conseguem não é suficiente para garantir o necessário. O Fundo contactou uma outra instituição, que desde então tem vindo a prestar apoio alimentar e, paralelamente atribuiu uma ajuda mensal complementar. Ao mesmo tempo T. foi encaminhado para uma empresa, na qual provavelmente virá a trabalhar. Se assim acontecer quer a conclusão do curso quer o ingresso na vida profissional enquanto fisioterapeuta, serão objectivos mais próximos de concretizar no final deste ano lectivo.

C. é estudante do 1º ano de Engenharia Industrial da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e, apesar de ser bolseira do Governo do seu país de origem, em Dezembro não tinha ainda começado a recebê-la. Recorreu ao Fundo por não ter dinheiro nem para renda nem para alimentação. Pudemos, no seu caso, ajudar num primeiro mês, suprindo aquelas duas despesas, e deixamos aberta a hipótese de repetir a ajuda no mês seguinte, o que, acabou por não ser necessário já que, entretanto, teve notícias da retoma da bolsa.

E. é estudante do 5º ano de Direito na Faculdade de Direito da Universidade do Porto que tendo ficado com um exame para época especial e sem bolsa em Agosto, viu-se em circunstâncias em que o apoio dos pais não era suficiente, pelo que recorreu ao Fundo. A sua dificuldade era assegurar as despesas de renda e alimentação. O Fundo pode assumir estas despesas até ao mês do exame e E. pôde assim terminar o curso e preparar o regresso ao seu país.

M. é estudante do 4º ano de Geografia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e é bolseira do governo do seu país. No entanto não recebeu bolsa durante dois meses o que coincidiu com o período em que, por ter mudado de casa (mais barata e confortável) e de emprego em part-time (mais rentável), teve que pagar dois meses de renda. Para além disto, e para poder cozinhar em casa (solução mais económica), tinha necessidade de um fogão e de uma botija de gás. O Fundo cedeu um fogão, assumiu o pagamento da botija de gás, e deu um subsídio destinado a alimentação até ao final desse mês.

Porque este horizonte de fragilidade entre os estudantes do ensino superior teima em persistir, reconfigurando-se permanentemente e escapando aos canais de detecção e apoio tradicionais.

Porque as fontes que alimentaram o Fundo nos últimos anos tendem também elas a reconfigurar-se e a escapar-nos.

Porque só a nossa solidariedade, iniciativa e criatividade podem reconhecer e tocar esta fragilidade.

Contamos com todos!

 

Dados

Fundo de Solidariedade da Pastoral Universitária
Casa Diocesana de Vilar
Rua de Arcediago Van Zeller, 50
4050-621 Porto

 

Regulamento do Fundo de Solidariedade da Pastoral Universitária

disponível em formato pdf. Download

Links

Para obter informações sobre o processo de obtenção do Rendimento Social de Inserção, consulte o site www.seg-social.pt →.

Para obter aconselhamento sobre o mundo das profissões, do trabalho, do emprego e do desenvolvimento pessoal, consulte o site http://cdp.portodigital.pt →.

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