Testemunho – Carla Maia

Testemunho – Carla Maia

 

UMA CASA

Foi enquanto estudante na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto que tive a oportunidade de contactar a Pastoral Universitária. Lembro-me de uma reunião numa sala mais pequena  do que os anfiteatros onde se discorria sobre a anatomia e a fisiologia do corpo humano. Dessa reunião ficaram-me palavras soltas: “continente”, “conteúdo”, “pontes” mas, sobretudo, a memória do Encontro com pessoas que acabaram por fazer parte do meu crescimento e amadurecimento enquanto estudante de medicina, enquanto universitária católica. E a memória de um jovem padre que parecia ter a capacidade de fazer um “campus” naquela pequena sala, de criar o espaço para um Altar ou um Sacrário no centro dela. E foi a partir daquela sala (algures no rés do chão da FMUP) que iniciei um percurso que olhado após quase 25 anos, posso resumir como fundamental, criativo, alegre, profundo, doloroso, maturativo, familiar.

Na PU fiz amigos e percebi melhor o significado da comunhão entre crentes e não crentes.

Na PU aprendi a valorizar o outro e a ser valorizada, tendo vivido a experiência de um verdadeiro trabalho de equipa onde as diferenças de cada um foram respeitadas e aproveitadas e valorizadas na construção do edifício (e)terno de cada um.

Com a PU, viajei e colecionei histórias, músicas, filmes, textos, rostos, testemunhos, relações que hoje fazem parte do meu património afetivo e de Fé. Da  casa que sou e onde mantenho uma porta aberta para receber cada um que, comigo, partilhou esse pedaço de História(s).

(…) Chega um momento em que vais para tua casa e eu para minha e isso não representa nenhum drama. Pelo contrário, sabemos que nos havemos reencontrar; que não nos vendo, não nos perdemos de vista; que o essencial permanece intacto na distância. Pensar assim a nossa relação com Deus enche-nos de serenidade e de alegria (…)

Tolentino Mendonça (in Nenhum Caminho será Longo, pag. 19 )

 

                Carla Maia
Março 2015

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